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Desvalorização do Livro - Caminho sem volta

O texto da postagem está destacado abaixo porque este blog foi criado em 2.012, quando Gunnar Santos tinha apenas 16 anos. Ele publicava aqui conteúdo de Política devido a sua vontade em seguir o Jornalismo Político.

Os textos que contêm tal destaque, como este, são apenas os de caráter crítico e político escritos naquele momento e, portanto, não representam qualquer posicionamento, opinião ou pensamento tanto da GNR como do próprio Gunnar. A decisão de mantê-los aqui se deu pelo fato de que faz parte da história do conteúdo produzido por ele. No entanto, para evitar interpretações equivocadas, se fez necessária a adição desta nota.

Em contrapartida, as antigas publicações literárias não fazem parte dessa classe e não carregam esse aviso.

- Grupo GNR.

Cada vez mais os livros mergulham na era digital. Em um caminho de fácil acesso, daqui a dez anos, qualquer um que quiser publicar um livro, o fará. Acontecerá o mesmo que a música, onde somente pessoas muito talentosas lançavam álbuns e se tornavam cantores na época do vinil.

Estamos caminhando a uma era tecnológica que promete agilizar processos, melhorar o trabalho e qualidades deles e a internet promete ser cada vez melhor. Só que até ações comuns do dia-a-dia estão sendo afetadas, claro. Como bom exemplo, existem até escovas automáticas, o que pra mim é o cúmulo do absurdo.

Só que a coisa fica ainda mais séria quando se trata da mídia. Infelizmente com apenas um avanço quase insignificante da tecnologia começaram a existir portais de notícias online. Digo infelizmente porque a qualidade das informações se tornou cada vez mais inferior. Vamos pegar revistas de fofoca como exemplo.


Revistinhas de fofoca como Capricho, Caras, Ego e derivados simplesmente não tem nenhuma coisa boa pra passar dos famosos. Então já que atualmente existe internet móvel até no anel do dedo, qualquer jornalista inútil (sim, inútil) fica espalhado nas áreas nobres pra tirar alguma fotinha de algum famoso. Olha só essa "reportagem":

Clique na foto para acessar a "reportagem" no site da Ego.

Uma pessoa estuda 4 anos de jornalismo pra depois se empregar na Ego e fazer esse tipo de reportagem! Essa reportagem é algo completamente inútil! E daí que a Grazi saiu da academia de celular na mão?! Caro jornalista, vá cobrir política porque mesmo que você seja apolítico é mais destaque ser jornalista político do que jornalista da Ego!

Antigamente, o único veículo de informação era a Literatura. Através de obras, um contexto social era abordado e uma crítica era feita. Se quisesse ter conhecimento dos fatos, era só ler livros. Infelizmente a mídia assumiu esse papel; E quando isso aconteceu, proliferaram matérias inúteis como essa.

Infelizmente, também, isso dá dinheiro tendo em vista a capacidade intelectual do brasileiro, se é que me entende.

Na época da ditadura, obras sérias, focadas no contexto social e em críticas ao governo eram censuradas. Somente os verdadeiros gênios faziam obras ou músicas que analisados sob outro ponto de vista, conseguiam transmitir algo sobre o governo para a população. Um dos maiores exemplos disso é do gênio Chico Buarque, com a música A Banda.

Agora que estamos na democracia e com liberdade de expressão, as pessoas não se importam com o contexto social de nosso país e ficam atrás de baboseiras como essa matéria! Essas coisas só surgiram com o avanço da tecnologia.

Então como ficarão os livros daqui a dez anos? Ontem passou uma reportagem no Jornal da Globo sobre a Bienal do Livro que acontece no Rio de Janeiro. Mostraram tablets contendo livros digitais. Eu sou completamente contra livros digitais (salvo os didáticos) e afirmo que ler um livro no tablet e dizer "eu li" é a mesma coisa de assistir DVD de um show e dizer "eu fui".

"Ah, mas é pke no tablet naum carrega peso. Livros são mto pesados"

E quem é o tonto de andar com cinco livros na mochila ou na bolsa? Ninguém tem cinco cérebros pra ler cinco livros de uma só vez. Novamente eu digo que sou a favor de livros didáticos no tablet, mas contra livros literários. Se você está lendo um livro legal porque acha banaca ler um bom livro e considera essa atividade um bom passatempo, você só vai ler um livro. Por que colocá-lo no tablet, então?

(Pra você que tem vários romances, contos e poesias no seu tablet, que ele queime ou seja roubado. Então você verá que livros impressos jamais acabam a bateria, nunca pifam e não pegam vírus.)

Mas o que é pior é que conforme livros digitais forem ficando cada vez mais comuns, cada vez mais pessoas terão acesso a publicação de um livro. Hoje o processo de publicação de um livro ainda é difícil, eu mesmo estou conferindo isso. Mas imagine daqui a dez anos? Qualquer um que tiver uma historinha vai querer publicar por um custo bem baixo e tudo digital. Então outros escritores tecnológicos vão ver que publicar um livro ou escrevê-lo no Microsoft Word dá na mesma e irão escrever qualquer asneira no Word, abrir um blog e disponibilizar o arquivo em PDF para download. Pronto! Estará publicado! Assim serão as publicações de livros no futuro.

Eu tenho muito medo disso, porque a literatura mundial terá o mesmo caminho que a música teve quando as gravações passaram do vinil pro CD. Na época do vinil, as gravações eram muito difíceis porque não existia pirataria. Não tinha essa de ir na papelaria do japonês e comprar uma caixa fechada de vinil virgem. Sendo assim, estúdios meia-bocas também não existiam e, assim, apenas cantores talentosos despontaram.

Aí inventaram o CD... ... ... ... ... ...

Pirataria ficou fácil, estúdios meia-bocas foram criados e qualquer cantorzinho ralé poderia gravar. Hoje, ainda existem pessoas que nasceram para cantar, mas também têm umas que só cantam porque nasceram. Perceberam que o funk não existia em vinil? Não preciso nem dizer mais nada, né?

Assim como houve desqualificação na música, haverá na Literatura daqui a dez anos.

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