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Memórias Póstumas de um Escritor Brasileiro

O texto da postagem está destacado abaixo porque este blog foi criado em 2.012, quando Gunnar Santos tinha apenas 16 anos. Ele publicava aqui conteúdo de Política devido a sua vontade em seguir o Jornalismo Político.

Os textos que contêm tal destaque, como este, são apenas os de caráter crítico e político escritos naquele momento e, portanto, não representam qualquer posicionamento, opinião ou pensamento tanto da GNR como do próprio Gunnar. A decisão de mantê-los aqui se deu pelo fato de que faz parte da história do conteúdo produzido por ele. No entanto, para evitar interpretações equivocadas, se fez necessária a adição desta nota.

Em contrapartida, as antigas publicações literárias não fazem parte dessa classe e não carregam esse aviso.

- Grupo GNR.

Essa postagem eu faço com a maior tristeza da minha vida. Sério mesmo, eu nunca me senti tão cabisbaixo e deprimido como agora. Em todas as postagens do meu blog eu fico ereto na cadeira e até mordendo os lábios. Isso porque elas tratam de assuntos interessantes sobre política e cotidiano, são as postagens comuns do blog. Eu quase escrevi "o tipo de postagem que você está costumado a ler por aqui", só que me lembrei que ninguém acessa este blog.

Enfim, agora estou sentado na ponta da cadeira, com as costas nas da cadeira, de cabeça torta, cara de bravo e de insatisfeito. O mês de setembro não foi legal.

Vamos começar: eu fiz este blog, a princípio, porque queria ser escritor. Só que isso não era um sonho tão distante, porque assim que o blog foi pro ar, 80% da abra já estava concluída. Foi pro ar em Março e em agosto eu terminei. É aí que entra a podridão da Literatura Brasileira.


Tenho conhecimento da indústria da música através de meu pai. Sei como funciona os processos de gravação de álbuns, todos os procedimentos e todos os preços. Quem é da área vai confirmar o que eu vou dizer e quem não é, vai ficar sabendo (não que isso seja tão útil assim): Gravação simples você consegue na faixa de R$ 2.500,00 a 5.000,00. Uma gravação melhor, com mais recursos, mais instrumentos e tal, na faixa de R$ 6.000,00 a 8.000,00. E uma produção perfeita está na faixa de 10 a 15 mil. Isso pra quem está começando, pois nomes consagrados no ramo da música faz uma gravação de 40, 50 mil reais. Então lá vai eu com essa mentalidade que eu julgava madura pra Literatura.

Eu sabia que nenhuma editora conceituada iria aceitar meu livro. Até porque elas têm A Cabana, Crepúsculo e 50 Tons de Cinza que irão trazer mais renda e repercutir o nome da editora. Porém eu me senti muito satisfeito com a Novo Século. Eles têm um programa (ou um selo) chamado Novos Talentos da Literatura Brasileira, que publica livros de novos escritores! Perfeito!

Quando fui ler os benefícios, me maravilhei mais ainda: 500 livros são pro autor e 1.000 pra editora que fará a distribuição nas livrarias do Brasil. Além disso eles oferecem noite de autógrafos, lançamento, banner e marcadores de página personalizados. O que é mais interessante: assessoria de imprensa durante um mês.

FODA!

Tudo o que eu precisava! É PERFEITO pra eu começar na Literatura. Aí - sim, eu escrevi porque eu quis e você não tem nada a ver com isso. Eu sei que não pode, mas o blog é meu e eu coloco o que eu quiser. Vou postar um pato olhando pra você agora:
Como eu ia dizendo, aí eu considerei que eles cobrariam um valor, nada mais justo. Então (tá bom assim?), pelo meu conhecimento no ramo da música, achei que iam cobrar uns R$ 3.000,00 no máximo. Qual foi minha surpresa quando recebi o e-mail com o valor do orçamento:

R$ 17.500,00

Porra!? Como assim?! 17 mil? Só pra primeira tiragem! "Sim", me responderam. Agora adianta fazer um programa que beneficia novos escritores com esse valor absurdo? O nome do selo deveria mudar para "Novos Talentos da Nobreza Financeira da Literatura Brasileira".

Obtive um consolo: poderia buscar um patrocinador. Busquei. Tentei na minha escola, em poucas empresas e até no Instituto Ayton Senna, como minha escola recomendou. Resposta negativa de todas. Estão todos certos, investir esse valor em um garoto que nem saiu das fraldas é um tiro no escuro. Eu, capitalista como sou, jamais investiria.

Então eu comecei a raciocinar as coisas e vi como é a Literatura aqui hoje e pude associar a música com os livros, que rendeu até a postagem Desvalorização do Livro - caminho sem volta. Por acaso vocês se lembram de como era a música na década de 80? Se recordam como só existia música boa? Vocês se lembram que, mesmo sem gostar de uma banda ou artista, eles eram ao menos talentosos? E vocês conseguem enxergar que nada disso existe hoje? Eu posso explicar isso. Com o avanço da tecnologia, gravadoras parece que brotaram do chão. Em qualquer quarto agora é fácil de montar um estúdio. Eu mesmo não monto porque não preciso, mas sei como fazer:

- Tem um computador muito bom;
- Comprar o Pro Tools (software usado nos estúdios);
- Abafar o quarto.

Agora existe software, mas antes era tudo na mesa de som mesmo, que custava uma fortuna. Então era muito raro abrir uma gravadora. Sendo assim, somente os talentosos, que lutavam, tentavam, insistiam na música que conseguiam gravar. Logo, só existia música boa. Agora, como qualquer porra louca pode gravar já que existe gravadora em tudo quanto é buteco, nasceu o Funk.

...

Funk de antigamente era música. Pelos mesmos quesitos do parágrafo anterior.

Agora o que isso tem a ver com a literatura? Eis que surge o destruidor do livro:


Não são nem 10% de todos os livros mundiais, mas dou 10 anos para os "eletronic books" (ui) dominarem a literatura. A tecnologia avança sem dó, compulsoriamente! Quando isso aconteceu com a música, saiu merda. Com a tecnologia na Literatura, vai sair merda também! Explico: Daqui a dez anos, qualquer pessoa que confunde "mas" com "mais" vai escrever qualquer coisa no Word, abrir um blog e disponibilizar o arquivo pra download em PDF. Quem tiver tablet vai poder baixar o arquivo e através do Adobe Reader vai poder ler. Pronto! Publicou um livro! Publicação de livros vai ser assim, futuramente. Ou seja, vai se tornar merda igual a música atual.

Fui pesquisar. Liguei para as seguintes editoras para saber se possuem algum programa pra beneficiar novos escritores: Leya, Saraiva, Sextante e Companhia das Letras.

- Leya: não obtive resposta até agora;
- Saraiva: não há incentivo algum, somente o "Seja Nosso Autor", formulário para preencher para que eles analisem. Porém tanto autores consagrados como autores como eu serão analisados da mesma forma. Claro que os do tipo eu não iriam conseguir nada.
- Sextante: para 2.013 já esgotaram os incentivos para novos autores; Já atingiram a cota. Pelo menos foram educados.
- Companhia das Letras: não tem incentivo nenhum. Ou você é bom ou se ferra.

Então vem Stéphenie Meyer (Crepúsculo), Willian P. Young (A Cabana) e James E. L. (50 Tons de Cinza) e eles aceitam. Atitudes como essa fazem com que o top 10 mais vendidos no Brasil sejam:

1. O Lado Bom da Vida – Matthew Quick
2. Cinquenta Tons de Cinza – E.L. James
3. Cinquenta Tons de Liberdade – E.L. James
4. Cinquenta Tons de Mais Escuros – E.L. James
5. Toda Poesia – Paulo Leminski
6. A Culpa É das Estrelas – John Green
7. Garota Exemplar – Gillian Flynn
8. Morte Súbita – J. K. Rowling
9. Toda Sua – Sylvia Day
10. Uma Curva na Estrada – Nicholas Sparks.

Um brasileiro na lista. Um!


Agora isso está mudando porque o Felipe Neto publicou o livro Não Faz Sentido. Eu comprei, é muito bom. Muito bom mesmo. Está quase entrando no top 10 se não já entrou. Só que o Felipe Neto já é empresário. Eu sou estudante do Ensino Médio. Ele teve essa grana toda pra investir na editora direto, sem nenhum incentivo. Editoras babam pra caras como ele.

Não que o livro seja ruim. Pelo contrário. Não Faz Sentido é um dos melhores livros que eu já li, tanto que o finalizei em 2 dias. Só que foi publicado por um cara que já é empresário. Atitudes como essa de editoras só afogam novos talentos, como eu. Meu livro está aqui, parado, sem investimento, sem patrocínio.

O título dessa postagem é Memórias Póstumas porque, realmente, um escritor morreu prematuramente. Comecei a falar de política nesse blog desde março desse ano. Estamos em Setembro. O blog possui 1.440 visitas. Em seis meses. Antes eu tinha um blog sobre futebol que somente nos 3 primeiros meses já somou 22 mil visitas. Isso reflete o povo, que prefere ser fanático por um time ao invés de se preocupar em ser algum entendedor de algo útil. E pra falar mal do governo todo mundo fala, né? Isso aí.

Essa postagem serviu como justificativa para o fim das atividades deste blog. Um escritor morreu aqui, nesse texto. Me tornarei como os outros porque falar de política ou de Literatura aqui no Brasil, onde o livro mais vendido é 50 Tons de Cinza e Crepúsculo, é falar pras moscas.

Agora vou publicar isso aqui logo porque o jogo do Palmeiras já vai começar.


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