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[RESENHA] Frankenstein - Mary Shelley #01

"A história do dr. Victor Frankenstein e da monstruosa criatura por ele concebida vem fascinando gerações desde que foi publicada, há mais de cem anos. Brilhante história de horror, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein representa um dos mais estranhos florescimentos da imaginação romântica"

Sob esse trecho retirado da sinopse de Frankenstein me senti atraído por adquirir o livro. Eu soube da existência de um monstro verde criado por um cientista ainda criança, lendo os quadrinhos do Penadinho, que até hoje não simpatizo muito. Na inocente mente, eu achava que a história era criação de Maurício de Souza. Só soube do contrário quando estava para completar doze anos, em uma ocasião que não me recordo.

Também nunca me interessei por obter maiores detalhes da obra, porém numa livraria me deparei com o livro escrito por Mary Shelley e, vendo a sinopse o colocando ao lado de Drácula e o período da autora (1.797 - 1.851), pude constatar que se tratava da história original.


Fiquei comovido com a história, porém intrigado com a falta de ação (por incrível que pareça). Até o clímax, quando criador e criatura se deparam, nada havia me interessado tanto e só não o abandonei porque se tratava de um clássico.

Depois deste clímax, tive minha atenção prendida e ansiei por terminar a leitura para saber o fim que teve o monstro.

Não vou dar spoiler, mas fiquei meio balanceado com a conclusão. São as características do Romantismo que prevalecem e, como dizem, para um bom entendedor meia palavra basta, não deve se esperar um final literário Contemporâneo.

Victor Frankenstein é um cientista que foi iluminado com conhecimento da criação da vida. Para comprovar a descoberta, claro, só gerando vida. Como o corpo humano possui detalhes e estruturas miúdas, impossíveis de apalpar e trabalhar, Victor decide criar um ser proporcionalmente grande para manusear as miniaturas. Dissecando cadáveres e colhendo tecidos, obteve material e criou uma estrutura de 4,20m. Deu-lhe vida e o que já era feio ficou pior quando veias saltitaram e músculos começaram a se mover.

O cientista correu apavorado e, quando voltou, o monstro já não estava lá. Por intermédio de seu fiel companheiro Henry Clerval, recebeu um carta de seu pai afirmando que um ente querido, pobre criança inocente Willian, havia sido assassinado. 

Voltando à terra natal, Victor percebe que o assassino fora o monstro a quem tinha dado vida e entra em depressão profunda. Então encontra-se, nas florestas, com sua criatura. Essa foi a parte que me comoveu, pois no momento desse encontro já havia passado dois anos que a fera havia tomado vida. Ela conta sua história e o leitor conhece o comovente lado de um sofredor, cheio de amor e compaixão, que conheceu a brutalidade do momem. São considerados os fatos que o encheram de ira e vemos a prepotência da espécie humana.

O livro mostra como somos falhos e indecisos, além de ressaltar, na pele da própria criatura, o preconceito predominante.

Aí faz-se o clímax e o caminho para o desfecho, que não é tão empolgante quanto, mas prende a atenção. Não sei se posso julgar esse monstro um anti-herói ou um inocente, pois em tempos torcia para se dar bem e em outros convencia-me de que a morte era o melhor caminho. A partir daí vemos por que Frankenstein é um clássico, pois divide opiniões e exprime que nenhum desfecho é totalmente adequado à situação. Mas afirmo que a leitura é comovente e ao ler somos capazes de entender por que se trata de um clássico da literatura.

  • Protagonistas: Victor Frankenstein, Henry Clerval, Elizabeth e a criatura;
  • Espaço: aberto;
  • Lugares: Suíça, Itália, França, Inglaterra, Alemanha e o Sul da Europa, onde a narrativa se finda;
  • Elementos:
  1. Apresentação: Capítulo 1, 2 e 3, quando são apresentadas as personagens e iniciado o envolto da complicação;
  2. Complicação: Capítulo 5 ao 10, quando a criatura ganha vida e desaparece;
  3. Clímax: Capítulo 11 ao 19, quando criatura e criador se encontram, é narrada a história do monstro e o mesmo realiza o pedido de uma companheira ao criador, para que se sentisse feliz e amado bem como foram Adão e Eva.
  4. Desfecho: Capítulo 20 ao 24, quando todo o caso é resolvido de uma maneira inimaginável, que não vou revelar por odiar spoilers.
  • Opinião: um grande clássico da Literatura e do gênero de terror. Embora ganhe essa categoria, Frankenstein não deve ser interpretado como um livro que lhe faz arrepiar de medo e nem como possuído por cenas de susto, portas rangendo e tempestade. Eu o colocaria como Suspense, não Terror. Porém, a leitura é muito gratificante e se mostra atual até hoje ao expressar a ambição do cientista, retificando a ideia de ser um clássico.

PRÓXIMA RESENHA: A Culpa É Das Estrelas - John Green.

É estrangeiro, está bombando de vendas aqui no Brasil e eu o adquiri por pura curiosidade. Em breve a resenha.

4 comentários :

  1. Adoro esse clássicos estrangeiros! Infelizmente ainda nao li este livro, mas já tenho ele e Drácula na minha estante e pretendo ler ele, só nao sei quando kkk
    Na vdd eu nao me lembro mais de toda a estória do Frankestein, entao vai ser otimo relembrar :D
    Beijos
    http://nolimitedaleitura.blogspot.com.br/

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    1. A história é super-legal. Comovente até. Agora o que eu quero agora é, justamente, o Drácula. Nem tenho ele ainda, mas vou comprar em breve. Julgando superficialmente, Drácula parece ser bem melhor já que se expandiu mais que o Frankenstein.

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  2. Gunnar, simplesmente estou encantada com sua resenha e com o livro. Confesso não gostar muito dos clássicos, por causa da linguagem(nossa que bela leitora eu sou.Hahahahahaha), mas infelizmente sou assim.
    Mas lendo sua resenha me peguei naquela bendita duvida, e agora?
    Agora só me resta ler e tirar minha conclusão, por sinceramente sua resenha me ressaltou um apetite para lê-lo. Acho que foi a forma em que você disse sobre o monstro: Uma hora torcia para se dar bem, noutra pensava que seria melhor a morte. Sim foi exatamente isso.hahahahahahahahaha
    Infelizmente não tenho o livro, mas vou procurar no sebo, vai que eu tenha a sorte e o ache perdido por lá.
    Parabéns Gunnar pela resenha!
    Quem diria que a Ana aqui, um dia se interessaria por um clássico.

    Beijokas Ana Zuky

    Blog Sangue com Amor

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    1. Olá, Ana!

      Muito obrigado e que bom que gostou da resenha e do livro! Olha, a linguagem é truncada sim, mas confesso que já li clássicos mais difíceis quanto a linguagem. Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco mesmo é um.

      Mas a história em si é muito linda, eu gostei bastante. Pode ser sim que você ache no sebo, mas há novos exemplares circulando por aí. O meu mesmo eu comprei há dois meses apenas.

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