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[RESENHA #04] O Diário de Carson Phillips

Se você é um leitor ativo e quer ser jornalista, provavelmente já lhe indicaram este livro. Caso nunca tenha ouvido falar da obra, o protagonista está se formando no Ensino Médio e pretende fazer Jornalismo. Este livro é certinho pra você? NÃOO!

Antes de tudo, quero dizer que nessa postagem vou dar spoiler sem aviso. <-- Isso não é um aviso.

Eu quero fazer Jornalismo e sonho trabalhar no The New York Times. O protagonista de O Diário de Carson Phillips está no último ano do ensino médio, odiando essa fase, louco pra entrar em uma determinada universidade e tem um sonho compulsivo de trabalhar na New Yorker, que só sei que é uma revista. Tirando a cidade onde Carson mora, essas duas empresas era o que nos diferenciava. Logo no começo ele fala que também quer ter uma coluna no NY Times, mas a meta mesmo é a New Yorker.

Logo no começo do livro ele fala umas coisas que todo jornalista ou letrista concorda plenamente a respeito da matemática. Vejam:

"x² = -19
x = -19
19 x-1  =  19x i   = i19

- Opa, opa, opa! - eu disse, sem conseguir me controlar. - O que é o i?
- O i é um número imaginário - ele disse e tossiu.
- Agora também existem números imaginários? E a próxima tarefa vai ter o quê, unicórnios?"

Gostei muito desse trecho porque eu também não entendo como surgem e somem coisas do nada na Álgebra e imaginária era a mente vazia do cara que inventou os números imaginários. Até pensei em reproduzir esse mesmo diálogo nas próximas aulas.

Na mesma página Carson fala que também temos que combater com a China e com o Japão, mas também temos que combater com o Irã e não existem aulas de perfuração de solo em busca de petróleo ou de montagem de bombas nucleares. De fato ele está certo. No mesmo capítulo ele acha inútil ter que estudar matemática se o que quer é Jornalismo e disse aquilo que todo aluno diz, que algumas aulas deveriam ser opcionais.

Até aí tudo bem. Me encantei mais ainda quando ele começa a montar a revista literária pra aumentar as chances de entrar na faculdade desejada. Achei demais tudo isso e acho que todas as escolas deveriam ser assim.

Ele entra e sai do laboratório de Jornalismo quando bem quer durante o horário de funcionamento da escola. Embora o jornal semanal e o Clube de Redação esteja decadente, existem! Aqui no Brasil não se pode nem ir ao banheiro sem pedir pra professora...

Carson chantageia as pessoas que o odeiam e com a "colaboração" de todos, o primeiro e único exemplar da revista é impresso. Quando isso acontece, o livro já passou da metade, o que significa que não houve ação nenhuma em praticamente a obra inteira. Sério, do começo até a publicação da revista, as únicas coisas que acontecem são:

Ele chantageia as pessoas;
Publica a revista.

Eu já estava ficando cansado da leitura. A narração é contemporânea, muito flexível, mas não acontecia nada! Sem contar que a tradução foi feita com muitos itálicos. Isso deixa a leitura cansativa. Quando a coisa fica boa é na página 207 (o livro tem 222 de história), quando ele é aceito na faculdade, mas não deu retorno à mesma e perdeu a vaga. Ele não retornou porque jamais recebeu a carta de admissão em mãos. Então descobre que sua mãe a recebeu e rasgou.

Na hora eu pensei: "Poxa, que mãe chata" e tive a sensação de que alguma coisa agitada ia acontecer. O sonho de Carson foi arruinado pela própria mãe fracassada! Se isso acontecesse comigo, eu não sei o que faria! Mas sabe o que acontece? Ele se inscreve na universidade pífia da cidadezinha idiota dele. Tipo, se rendeu mesmo. Fiquei chateado com a leitura.

Então a narrativa mostra qual a moral da história, algo como que se não houver sonhos, planos e perspectivas, não vale a pela viver a vida. Que a vida lança ideias e some como um raio.

Daí ele morre atingido por um raio.

...
..
.

O livro não é de Romance, onde a morte é o escape para um viver eterno e feliz. E o Phillips morre com um raio na cabeça, não acrescentando nem subtraindo nada à obra.

Não vou falar mais nada. Querem informações? Tem muitos itálicos que só sugere que são coisas adicionadas na tradução e o livro tem meia dúzia de erros de digitação.

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