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[RESENHA #08] O Fantasma de Manhattan

Emocionante, intrigante e clássico, O Fantasma de Manhattan é a continuação de O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux. A riqueza deste livro está ao mesmo nível da obra original e a leitura não cansa mesmo com a história se passando nos primeiros anos do século XX.

Frederick Forsyth foi o responsável por continuar o clássico d'O Fantasma da Ópera. A obra original foi impressa pelo francês Gaston Leroux em 1.910 e em 1.999 Forsyth publica a sequência deste clássico. Na blogosfera atual, diz-se que uma adaptação literária nunca é fiel ao original, bem como a continuação da saga escrita por outra pessoa. O Fantasma de Manhattan prova que não é bem assim.

Em O Fantasma da Ópera, temos uma mulher conhecida como Madame Giry. Certo dia ela foi ao circo e, no setor dos horrores, avistou uma criatura muito feia que pouco se parecia com um humano. Este era Erik Mulheim e estava preso em uma jaula em exposição como ficam os leões e onças de circos. Porém com Erik era diferente. Ele não ia fazer nenhuma apresentação, nem um mágico o faria desaparecer. Ele estava ali simplesmente porque era horroroso. De nascença, tinha um rosto deformado e estava naquela jaula acorrentado, fedido, sob palhas e estercos. Realmente pouco se parecia com um homem e ali estava para as pessoas jogarem coisas, restos de comida e sujeira nele. Essa era a atração.

"Ele era grande e corpulento, com o rosto vermelho e feições grosseiras. Carregava uma bandeja vermelha presa ao pescoço com um cordel. Continha esterco de cavalo colhido no lugar onde ficavam os pôneis, e pedaços de fruta apodrecida.

[...]

Dava para ver que era de fato humano, mas por muito pouco. Uma figura do sexo masculino, envolta em trapos, com crostas de imundície, mordendo um pedaço de maçã velha. Aparentemente precisava viver do que as pessoas jogavam contra ele. Esterco e fezes grudavam-se em seu corpo magro.[...]

O crânio e o rosto eram horrendamente deformados, com apenas alguns tufos de cabelo imundo. O rosto era distorcido para baixo num dos lados, como se tivesse sido golpeado há muito por um martelo monstruoso, e a carne da face era escoriada e informe, como cera derretida." - Palavras de Madame Giry.

Erik, o Fantasma - Imagem do filme O Fantasma da Ópera, 2.004.

Mesmo assim, havia dor nos olhos daquele monstro e a madame sentiu isso. Tanto que estendeu a mação que tinha em mãos ao invés de arremessá-la. À noite, quando o circo já havia fechado, aquela mulher voltou ao local, arrombou o cadeado daquela grade e roubou a criatura.

De início, o manteve em sua casa, mas depois o levou para a Ópera de Paris, onde era professora de balé. Lá ele cresceu, se apaixonou por uma cantora, a estuprou e desapareceu (tive que dar spolier, se não o livro não faria sentido).

Tudo isso acontece no livro O Fantasma de Paris.

Em O Fantasma de Manhattan, Forsyth dá continuação a essa história e faz o Fantasma reaparecer em Nova Iorque, no ano de 1.906. A história começa com o próprio relatando sua situação: atualmente, Erik Mulheim é o empresário mais bem sucedido de Manhattan e o mais respeitado administrador de parque de diversões.

Erik chegou pobre ao Novo Mundo, mas fazendo cambalachos e praticando golpes, entrou no ramo ascendente daquela metrópole. O primeiro parque de diversões estava sendo criado na ilha e nosso Fantasma através de seu amigo Darius estabeleceu um acordo com o dono do parque: a cada um dólar ganho, dez centavos era seu. Quando o parque abriu, as pessoas vinham aos torrentes.

Logo depois, outro magnata decidiu construir outro parque de diversões para rivalizar. Erik praticou a mesma fórmula e ganhou mais dinheiro. Mais para frente, em um torneio de boxe, apostou o dinheiro em um lutador e trocou a garrafa de água do atleta adversário. K.O.! Ganhou um milhão de dólares. Meses depois, outra luta: mesmo processo, mesmo resultado: mais um milhão de dólares.

E se estabilizou. Erik Mulheim, escondido atrás de uma máscara que cobria a imperfeição de seu rosto, tornara-se um acionista da Bolsa de Valores e mantinha sua fortuna. Até que um forte empresário de Nova Iorque planejava abrir um novo negócio na cidade: uma Ópera!

Erik entrou em contato e custeou toda a construção da obra. Era o majoritário naquele empreendimento. Porém, meses antes da inauguração da Ópera, recebeu uma carta de Madame Giry. Ela dizia que Christine, a garota por quem se apaixonou dez anos atrás, tinha um filho: Pierre. A essa altura, Christine era já uma estrela, um ícone da Ópera. Disso Erik já sabia, pois fora sua voz que o fez se apaixonar. Ao saber que o atual marido de Christine, Raoul, era infértil, o Fantasma concluiu que Pierre era seu filho. E estava certo.

Louco de amor, mandou um representante à Paris para convidar Christine a inaugurar sua Ópera. Após muita resistência, ela aceitou. Este é o clímax do livro, a incógnita se Erik, já maduro, será rejeitado mais uma vez pelo amor de sua vida ou se viverão juntos pela eternidade da vida de ambos. Os papéis agora se inverteram e a pobreza já não faz parte da vida desses dois personagens. Sendo assim, boa leitura (rs.)

Não vou dar spoiler novamente. O que tenho a dizer é que este livro é muito rico. Sua leitura é fluída e gostosa para ler. É narrada como As Crônicas de Gelo e Fogo - George R.R. Martin - em que cada capítulo mostra uma personagem diferente, sendo todos interligados. A diferença é que em todos os capítulos a narração é em primeira pessoa.

Comprei o livro pelo título. Moro na cidade de São Paulo e nas estações do Metrô há uma máquina que vende livros: "PAGUE QUANTO ACHA QUE VALE". Funciona como uma máquina de refrigerantes, você enfia a nota, digita a referência e o produto cai. Paguei o valor mínimo, R$2,00. Não me arrependi nem um pouco. Pelo contrário, adquiri boa Literatura por um preço muito acessível. Por isso eu amo São Paulo!

Enfim, é um ótimo livro. Um suspense emocionante que pode ser lido em um dia se tiver tempo.

2 comentários :

  1. Olá Gunnar! Confesso que tenho receio com livros em que a história se passa em séculos passados, uma vez que meu horário de leitura é a noite, e sendo a grande maioria cansativa. Mas este livro, pela sua descrição, não me pareceu nada cansativo. Fiquei louca para ler.
    P.S. Como amo a sua escrita, você escreve tão maravilhosamente bem, que parece que estamos conversando, e não lendo! Parabéns por ter esse dom tão único.
    aculpaedosleitores.blogspot.com.br

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    1. Oi, Bia!

      Olha, a linguagem não é nem um pouco cansativa. Isso porque a história se passa em 1.906 mas o livro foi escrito em 1.999 e possui uma linguagem contemporânea. Não é liberal como A Culpa É Das Estrelas, por exemplo, mas a linguagem flui muito.

      Um ponto positivo desse livro que esqueci de mencionar na postagem é que não há descrições. Livros clássicos normalmente descrevem até a cor dos olhos de um rato que passa na rua, mas em O Fantasma de Manhattan não tem isso e as coisas que são descritas são somente aquilo que fazem parte da ação, pois os capítulos são narrados por personagens diferentes que compõem o enredo.

      Olha, muito obrigado pelo elogio! Fico muito feliz por ter gostado da minha escrita. Meu sonho é não apenas publicar um livro, mas viver de Literatura e saber que meu estilo de escrita agrada é muito importante!

      Obrigado e volte sempre!

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