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Argumentos a favor da lei de cotas

O texto da postagem está destacado abaixo porque este blog foi criado em 2.012, quando Gunnar Santos tinha apenas 16 anos. Ele publicava aqui conteúdo de Política devido a sua vontade em seguir o Jornalismo Político.

Os textos que contêm tal destaque, como este, são apenas os de caráter crítico e político escritos naquele momento e, portanto, não representam qualquer posicionamento, opinião ou pensamento tanto da GNR como do próprio Gunnar. A decisão de mantê-los aqui se deu pelo fato de que faz parte da história do conteúdo produzido por ele. No entanto, para evitar interpretações equivocadas, se fez necessária a adição desta nota.

Em contrapartida, as antigas publicações literárias não fazem parte dessa classe e não carregam esse aviso.

- Grupo GNR.



Hey, guys!

Com essa postagem eu quero desconstruir a ideia que tinha sobre a lei de cotas. Recentemente, na aula de Sociedade, Comunicação e Cultura esse assunto foi abordado. O tema da aula foi justamente esses conceitos raciais e a teoria do Conde de Gabineau, que explicarei em outra postagem. Quando o fizer, haverá um link. Se ainda não tem, é porque não há :)

Primeiramente, eu era contra as cotas raciais. Você pode conferir a postagem que fiz clicando aqui. Não é bem uma postagem propriamente dita. Pelo que me lembro, é uma redação, na verdade, em que tínhamos que falar da nossa opinião a respeito. Tarefa de língua portuguesa do Ensino Médio, ou seja, há mais de um ano.

Eu tinha a visão que muitos estudantes também tinham, de que se a lei diz que somos todos iguais, não deveria ter benefício algum para negros. Também era contrário à cotas para estudantes de escola pública pelo fato de que um ensino público de qualidade é um dever do estado. Porém agora que estou na faculdade, a mente vai abrindo bem mais, por mais que ainda seja o primeiro semestre. Acontece que eu aprecio o estudo da sociedade e, portanto, vivo elaborando pensamentos a respeito.

A lei de cotas está pautada sim no mesmo argumento que eu não concordava: de beneficiar quem um dia foi prejudicado. Se enquadra na categoria de Ações Afirmativas, que são ações que visam desconstruir a ideia negativa do negro e da cor preta. O objetivo é ressaltar não apenas a igualdade intelectual, mas que a cor do negro também pode ser ligada ao positivo. A lei de cotas existe nessa categoria, beneficiando os negros para serem associados também ao sucesso.

O negro e a formação das favelas.

Não pretendo fazer a maior teoria para explicar a relação entre favela e negros, pois ficamos praticamente o Ensino Médio inteiro falando disso e eu nunca entendi, enquanto o professor da faculdade explicou em apenas trinta minutos que foram suficientes. Vamos lá:

O negro, quando foi libertado, precisava se manter, ou seja, precisava de capital de troca. Então trabalhavam em troca de salários. Porém, nessa mesma época, trabalhadores imigrantes estavam chegando ao Brasil. Os imigrantes estavam vindo de uma Europa no auge da segunda revolução industrial e eram capazes de trabalhar com máquinas. O escravo, que passou a vida parado no tempo, só sabia de manufatura. Passou a vender sua força por trabalho domésticos que não pagavam habitações nos centros. Foi promulgada uma lei determinando que quem fosse visto nas ruas durante a noite sem casa e sem rumo, seria preso. Então só tinham os morros para ir. E foram.

É isso.

E aqui começa a ideia central da nossa postagem. Esses serem humanos foram discriminados e têm suas gerações condenadas ao mesmo até que o racismo seja totalmente abolido do mundo, o que eu julgo uma tarefa impossível se as atitudes continuarem devagar como estão. O negro sempre foi, historicamente, referido como algo ruim, imperfeito, indigno. Aquele ser que possuía qualidade pouca ou quase nada durante muito tempo. Hoje, o que se vê são reflexos dessas atitudes. O professor e mestre José Farias faz um comparativo que comprova isso:

"Pegue duas crianças meninas, uma negra e outra loira. Mostre para elas e permita que elas escolham entre dois tipos de bonecas: negra ou loira. A menina loira, vai querer a boneca loira. A menina negra também vai querer a boneca branca. Porque ela foi influenciada pela sociedade que o branco é o belo".

Indígenas também sofriam preconceitos pela sua cultura. Eram desprovidos de tecnologia e os colonizadores julgavam tal cultura como inferior. Segundo Farias, se trata de um engano. "Quando se trata de cultura, não existe superior ou inferior, apenas diferente de acordo com a antropologia. Cultura é todo o complexo que inclui conhecimento ou hábitos adquiridos pelo homem." Ele ainda afirma que há variações na forma como esses hábitos surgem de acordo com vários fatores, principalmente geográficos. Logo, se mostra que uma cultura é diferente da outra, nunca inferior ou superior.

A Matriz Formadora do Brasil é Tupi, Lusa e Afro. Filhos de luso com tupi não eram nem portugueses, nem tupis. Eram ninguém. Veja:

Tupi + Luso = mameluco
Luso + Afro = mulato

Mamelucos e mulatos não eram nem tupis, nem lusos, nem afros. Eram ninguém. A conjugação desses "ninguém" foi o que deu origem ao povo brasileiro. Todos os brasileiros têm em seus sangues genes de lusos, tupis e afros. Por isso o Brasil é tido como um país miscigenado (variado). Cabe aí a reflexão/indagação quanto ao preconceito racial, já que somos todos mestiços.

O objetivo da Lei de Cotas não é apenas colocar esses "ninguém" nas faculdades. É formar através delas negros e indígenas cultos e influentes, que possam ser olhados, observados e referenciados (sim, de referência). Como o povo brasileiro é variado, que todos sejam iguais no contexto SOCIAL (pois no individual já foi dito que somos mestiços). Essa variação não se vê na USP, por exemplo. Porque quem entra lá são, a maioria, pertencentes da elite.

"Ah, Gunnar, mas é seletivo! Tem uma prova, quem passar entra!" Exato, amigo, mas pra uma prova ferrada de difícil, é fácil passar? Só entra aquele que tem tempo pra estudar (eu quis dizer aquele filhinho de papai que tem não precisa trabalhar e fica estudando o dia inteiro). Há exceções, claro. Mas, se é exceção, é minoria e não podemos considerar exceções. Então não há variação social na USP.

Vamos usar a Uninove para representar as universidades particulares populares. Lá a variação social é muito grande. Devido às mensalidades acessíveis e processos seletivos fáceis, encontramos em uma sala de aula negros, loiros, pardos, amarelos, marrons, azuis, verdes, rosas e cor de cogumelos. Toda essa variação que representa a sociedade brasileira. Essa variação não tem na USP e as cotas existem para mudar isso, para beneficiar os tais negros, loiros, pardos, amarelos, marrons, azuis, verdes, rosas e cor de cogumelos. Essa é a justificativa para todo o congresso aprovar as cotas unanimemente, e para eu mudar meu pensamento a respeito delas.

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