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19/07/2017

Por que estão parando de fazer jogos "de dois"?



Iaê, amada garotada.

A evolução da internet é uma tendência que está muito longe de ser em prol dos videogames, porém os jogos "de dois" estão se curvando à dependência da internet, infelizmente. Jogar com seu primo, irmão, amigo ou pai, hoje em dia só online - no modo multiplayer.

Claro que estou exagerando, mas é algo que muitos especialistas da mídia gamística - além dos próprios jogadores casuais - reclamam. Antigamente, não ter a opção para jogar "de dois" significava um defeito! Isso mesmo. As produtoras focavam totalmente em produzir a parte principal do jogo, a história, os enredos e tudo mais, porém dedicavam algum tempinho só pra adicionar um modo cooperativo local. E, acreditem, saía muita coisa divertida.

Eu não me refiro a jogos de esporte (por mais que F1 também não tenha opção de 2 players), pois jogos de futebol, luta etc terão modo de dois jogadores eternamente. Me refiro aos outros jogos de aventura.

Comecemos por Driver 2. Meu Deus, que jogo <3. História, enredo e personagens incríveis. As missões então, nem se falam, é uma melhor do que a outra. Quatro cidades, apenas duas liberadas, e aquela sede em completar todas as missões para disponibilizar as outras duas pra, no final das contas, não fazer nada. Pois é, só tinha uma coisa para se fazer em Driver 2 se o jogador não quisesse completar as fases: pegar um carro secreto. E pra chegar até ele era a coisa mais fácil, não tinha tiroteio, gangues... nada. Era só chegar até o lugar e pegar o carro. Mais nada. E mesmo assim tinha gente que jogava, hein?

Eu mesmo era um. Passava facilmente duas horas naquele jogo sem fazer nada. Apenas dirigindo pela cidade e trocando de carro quando o meu capotava. Só. Mas jogava, e não era o único. Fora que isso era divertido. Mas, mano... Quando meu primo chegava e a gente botava pra jogar de dois, noooossa, sai da frente! Virava o melhor jogo que essa terra há de contemplar. E sabe do que mais? No modo de dois jogadores não tinha absolutamente NADA pra fazer. Nem pegar o carro secreto porque nem carros NPCs tinham.


Pensa só: a cidade de Chicago totalmente vazia e sem nenhum objetivo, exatamente como Chernobyl. Nada de pedestres, veículos, polícia, animais... Nada. O verdadeiro significado de liberdade. Só você e seu amigo. E vale lembrar que a câmera era fixa no para-choque, não se via nem mesmo o próprio carro, o que significa que não era possível sair do veículo e andar a pé (e mesmo que fosse, não teria nada pra fazer). Além disso, o carro era invulnerável. Brother, brincar de pega-pega com todas as ruas vazias de uma cidade inteira! CÊ TÁ DOIDO, NÃO TINHA COISA MELHOR! Isso nos anos 2000.

Já vão fazer vinte anos. CACETE, JÁ VÃO FAZER VINTE ANOS! Séloco, o mundo tá girando muito depressa.

Pois é, dezessete anos atrás isso era uma diversão incrível. Fala isso pro Cotoco, seu irmão de 11 anos. Ele vai rir da sua cara, porque hoje em dia só se joga com amigos se for pela internet, com um mega fone de ouvido te isolando do mundo ao redor. As coisas começaram a mudar com o MSN, que dava pra fazer as ligações, mas ali ainda era tranquilo porque só se conversava com quem estivesse na sua lista de contatos, e para entrar nela era necessário a outra pessoa ter o seu e-mail e você ainda tinha que aceitar.

Mas hoje? Basta apertar um botão e falar que todos os jogadores próximos te ouvirão. Essa é uma tendência que só vai aumentar. Mas preste atenção: eu não estou criticando essa prática. Leu bem?

De novo: eu não estou criticando a prática de jogar online e conversar com pessoas que você nunca viu pessoalmente. E muito menos acho que isso é errado, na verdade é até saudável se praticado com prudência.

Jogar online conversando com quem você nunca viu não é perigoso. As mães piram, mas não é de jeito nenhum. O perigo está em compartilhar dados pessoais e endereços, mas isso aí não se deve fazer com nenhum estranho. Se alguém te parar na rua e falar "me passa seu telefone e seu endereço?", você não vai passar. Por que na internet é diferente? O seu filho precisa ser educado sob esse conceito.

Eu participava de fóruns, eu jogava Habbo. Nunca tive sequer um e-mail hackeado. Eu sabia que informações individuais não eram cabíveis a terceiros, então não passava, nem que me pedissem.

Sendo assim, conversar online é uma prática boa, de socialização. Até agora eu não disse nada de mais.

O ponto aqui é: essa tendência está crescendo tanto que não querem mais fazer jogos pra duas pessoas jogarem pessoalmente! Aí está o erro. E eu ainda sou capaz de justificar o porquê disso ser um erro com situações pessoais, se liga só:

Erri Taekwoon é meu amigo. É brother mesmo. Eu e ele temos muito em comum, tipo muito mesmo. Se eu não fosse hétero, pegava fácil. A gente se dá super bem. Mas se não fossem os jogos e as comunicações online, eu jamais o conheceria, porque eu tomei conhecimento dele por causa do Minecraft. Pois é, Minecraft. Lá pelos meus 19 anos, eu bolei um roteiro em que a Nina (atual personagem da Corporação Linca) apareceria pela primeira vez nos meus conteúdos. Não precisamos entrar em detalhes, mas para o roteiro virar realidade, eu precisava instalar um mod no Minecraft, o Aether II.

Eu sabia pra que servia o mod e o que ele adicionava, mas não sabia como usar. Então digitei "Aether II" na busca do YouTube e cheguei a um vídeo do canal do Erri. Gostei do vídeo, do canal, da atuação dele e me inscrevi. Comentei um vídeo, ele retribuiu a inscrição, me chamou pra participar de uma série do canal dele, trocamos contatos do Skype e pronto. Amizade de verdade, até hoje. Ele é de Brasília e eu de São Paulo, ele é apaixonado por K-Pop e eu não, então me diga em qual situação nós nos conheceríamos e nos tornaríamos amigos? Nenhuma.

E por causa desse blog aqui conheci e produzi muita coisa em parceria incrível com a Ana Zuky, quase namorei com a Clélia, me apaixonei platonicamente pela Camila, enfim. Eu me lembro, inclusive, que quando tornei esse blog literário, queria saber como solicitar parceria com uma editora. Perguntei isso à Camila por e-mail e ela me deu uma atenção incrível, explicou todo o passo a passo e ainda me passou endereços eletrônicos de várias editoras, se dando ao luxo de ainda dizer qual a melhor forma de abordar cada uma delas. Esse é o tipo de atitude que, se duvidar, não vem nem dos seus parentes (parente não é a mesma coisa que família).

Pessoas incríveis que eu jamais teria sequer conversado se não fosse a internet e a "web-socialização", digamos assim. E até hoje eu não conheço nenhum deles pessoalmente.
Tudo isso que eu disse nesse box acima foram as situações pessoais positivas que jogar online e socializar na web, mesmo sem conhecer pessoalmente as pessoas com quem conversava, me proporcionaram. Ou seja: o Online é bom. Mas fazer jogos novos sem a opção de dois jogadores locais torna impossível se divertir pessoalmente!

O exemplo é: quando eu estou na minha casa e o meu primo Levi na dele, jogamos um monte de coisa juntos, mas quando ele vem aqui, não conseguimos jogar nada. Ficamos só vendo vídeos, sendo que na época do Driver 2, eu e ele jogávamos o dia inteiro.

Outro jogo que me diverti muito jogando com amigos foi Crash of The Titans, que é um exemplo de alternativa para um jogo de aventura ser "de dois" também.

O Modelo Crash of The Titans



Eu me diverti MUI-TO com Crash of The Titans, jogando com o Levi e com o Alef. A campanha solo desse jogo consiste apenas no Crash passando por várias fases para salvar sua irmã, Coco Bandicoot, que foi sequestrada pelo vilão Dr. Neo Córtex (exatamente a mesma fórmula de Super Mario). O modo de dois jogadores é exatamente a mesma coisa, as mesmas fases, porém o Player 2 controla um Crash branco que sequer existe na história (tanto que ele nem aparece nas cutscenes). Mas a produtora do jogo (a Radical Entertainment) fez questão de tornar possível a jogatina local, independentemente se daria uma bugada na história, pois a diversão entre amigos é mais relevante.
Amizade virtual é muito boa, mas quando ela evolui e se transforma em amizade pessoal, é melhor ainda, e estão desconsiderando isso. Eu e o Levi jogamos jogos de futebol numa boa, mas o Erri não. E em um possível encontro entre nós três, ele ficaria sem jogar. Nós três sabemos jogar League of Legends, mas não dá pra jogar esse jogo sequer em duas pessoas. A solução pra jogar um do lado do outro é cada um levar o seu computador, o que é inviável.

Grand Theft Auto e League of Legens podem ser "de dois"?


GTA

Existem jogos aí que poderiam muito bem ter algum modo pra dois jogadores e não têm. Um exemplo é o GTA V. Não seria absurdo uma tela dividida no GTA, principalmente porque existem 3 personagens para um só jogador controlar!

Primeiro o Franklin entra na área restrita, faz o combate e chega em determinado ponto em que não consegue atirar nos inimigos porque estão no andar de cima. Aí eu tenho que segurar um botão e apertar outro pra mudar de personagem e controlar o Michael, que está na laje do prédio da frente com uma sniper e consegue atirar nos caras.

Era muito mais viável dividir a tela e fazer um segundo player controlar o outro personagem. Ficaria fixo: Player 1 joga com o Michael e o Player 2 com o Franklin. É assim no modo online, por que não poderia ser também "de dois"? Quando só houvesse um jogador, aí sim manteria esse sistema.

Se a ideia era justamente proporcionar a experiência de mudar de personagem, tudo bem: colocasse o modo "de dois" apenas no modo livre, sem missões. Eu jogo GTA Online com o Levi tentando fazer umas coisas muito loucas, como subir a montanha mais alta do jogo com um ônibus coletivo ou um caminhão de lixo. Mas quando estamos juntos, não dá. Isso chega a ser triste.

League of Legends

O caso de LoL (que é um jogo de PC, pra quem não sabe) é mais complicado e inviável, mas eu consigo desenvolver uma linha de pensamento. Bom, quanto maior o monitor, melhor, então dividir a tela no meio é algo que nenhum jogador aceitaria. E também tudo ficaria muito espremido, já que diversas informações úteis ficam espalhadas pela tela, comprometendo a performance do jogador.

Mas poderia muito bem ter uma opção que aceitaria um segundo monitor como tela pro Player 2.


Antigamente eu usava dois monitores no meu PC. Se o LoL detectasse essa configuração, o modo "Tela Dividida" seria acessível para escolha e pronto. Mano, eu simplesmente iria jogar muito mais esse jogo. Mas mesmo assim, atualmente é inviável, porque a placa de vídeo, a memória RAM e o processador do computador teriam que ser bem muito bons para gerar uma segunda projeção em perfeito sincronismo, sem provocar delays e travamentos pros dois.

Além do mais, teria que ter um segundo monitor, né... Isso é bem mais caro do que um segundo controle. Por isso é inviável. Fora que a Riot teria que desenvolver uma programação que permitisse o login de duas contas simultâneas no mesmo PC, e se ela fosse a única a fazer isso, acabaria não fazendo. Eu penso que isso poderá sim vir a acontecer em um futuro não muito distante, onde os computadores estarão bem mais evoluídos e o problema dos delays e travamentos não existir.

E tu? O que acha disso? Comenta aqui embaixo ;)

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