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21/02/2018

The Discovery Tour, o novo modo de jogo de Assassin's Creed que mostra que videogame não é apenas um joguinho.

Após diversas mensagens recebidas por professores, a Ubisoft atendeu ao pedido de desenvolver algo para ser utilizado em salas de aula.


Ontem a Ubisoft liberou um novo modo de jogo para AC: Origins. Chamado de The Discovery Tour, ele está disponível para quem já tem o jogo, mas também é vendido separadamente para os interessados. Isso porque o modo não é apenas recreativo, e sim uma ferramenta de aprendizagem. De acordo com o trailer de lançamento publicado na segunda-feira (19), há 75 ambientes do Egito Antigo riquíssimos para explorar e obter conhecimento. Jean Guesdon, diretor de criação, cita que há até mesmo uma notificação quando o jogador chega em determinado local relevante, historicamente falando, que alerta algo como "isso é importante aprender".

É claro que se trata de muito mais que um jogo. Falando de forma mais direta, The Discovery Tour é uma plataforma de ensino do Egito Antigo e seus meios de vida. "Nós realmente quisemos focar em uma grande experiência em descobrimento e aprendizado" - ressaltou o historiador Maxime Durand, sendo complementado por Guesdon dizendo que "de repente você não está simplesmente em um jogo. Você está no Egito".

Se liguem na sacada empreendedora e visionária. Desde 2014 a Ubisoft veio recebendo muitas mensagens de professores sugerindo que desenvolvessem algo para eles usarem nas salas de aula. Obviamente isso não é uma ideia de se jogar fora, pois todos nós, jogadores, sabemos a incrível bagagem histórica que a franquia Assassin's Creed carrega. Desde o início foram explorados momentos importantes da história, desde a Terceira Cruzada até a Renascença Italiana. Os executivos passaram a pensar em como produziriam algo bom para alunos e ao mesmo tempo para os gamers. A ideia foi compartilhar o mundo inteiro sem uma narrativa pesada e lutas.

Todos os ambientes foram recriados em escala real, o que aumenta muito a experiência aprendida. Quem falou sobre isso foi Evelyne Ferron, consultora e professora de história. "Eles construíram um mundo que não existe mais", diz Evelyne. "Quando nós ensinamos, tentamos ajudá-los [os alunos] a imergirem em um tipo de envolvimento. [...] É uma coisa nova para os professores e realmente útil, porque os alunos, penso eu, se lembrarão mais daquilo que ensinamos se eles puderem sentir."

Desde 2.008 que tínhamos Assassin's Creed novo todos os anos, mas isso durou até 2.015. Em 2.016 a franquia deu uma pausa e voltou com tudo em 2.017 com Assassin's Creed: Origins. Como estamos iniciando 2.018 agora, havia aquela dúvida no ar: será que AC voltaria a ter títulos anuais e, consequentemente, teríamos jogo novo esse ano? A resposta é: não.

"Atualmente, estamos concentrados em AC: Origins, para o qual vamos lançar mais alguns DLC's. Vão ficar surpreendidos com o que virá para o Origins, essa é a única informação que posso avançar por agora", revelou Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, antes de The Discovery Tour ser anunciado. Ele ainda justificou a escolha ao falar um pouco sobre o sucesso do último lançamento, cuja história tem pelo menos o dobro de tempo em relação às anteriores. As DLCs também são responsáveis por manter o jogo vivo, e com as que virão por aí, os jogadores ainda terão muito o que consumir de Origins.

Essa tem sido a postura adotada pela Ubisoft desde 2.016, quando anunciou que não teríamos AC naquele ano, e se referem a ela com o termo "polimento". Podemos traçar um comparativo com Grand Theft Auto V, da rival Rockstar Games. O título foi lançado em 2.013 e até hoje, cinco anos depois, o jogo está vivo. E muito bem vivo. A diferença é que no caso de GTA o foco está no modo online. Se o modo online do game fosse um rio, ele seria extremamente agitado, pois promoções, e novos modos de jogo são adicionados quase que semanalmente.

Isso significa que um título anual não é conversão para a qualidade. Ao focar em Origins, a Ubisoft coleta dados de jogos dos jogadores e converte a experiência de volta, ao invés de investí-la em outro jogo novo, do zero. Isso mantém o jogo vivo. É o que eu acho que deveria acontecer até com os jogos de futebol, vide Pro Evolution Soccer e FIFA. Todo ano tem jogo novo, com novas mecânicas de jogo e tudo mais, porém eu penso que deveriam programar um jogo e mantê-lo. Por que as mecânicas precisam ser reescritas praticamente do puro zero todos os anos?

Penso que poderia existir apenas Pro Evolution Soccer. A versão "2017" foi a que agradou mais jogadores desde a "2013", então era só continuar lançando atualizações de uniformes, escalações e ir corrigindo alguns bugs. Tenho quase certeza que teríamos experiências bem melhores de gameplay.

Então vejo com bons olhos o polimento de Assassin's Creed: Origins. Mantém a comunidade mais unida. Origins é um jogo bom demais para durar só um ano. Parabéns à Ubisoft. Bola dentro!

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