Iniciando o Backlog com Bloodstained: Ritual of the Night

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Iniciar o backlog com um jogo recente, visual contemporâneo mas level design clássico é a melhor maneira de iniciar para quem não está acostumado com jogos antigos.


Na primeira semana do mês eu falei a respeito das minhas vibes gamer e literária, mencionando como elas estão e como irei trabalhar essas duas áreas em 2020. Em relação aos games, destaquei que há uma lacuna de jogos antigos mas importantes que preciso conhecer/jogar devido à relevância que trazem para a indústria. O backlog (lista de tarefas - no caso, jogos) é grande, mas me desanima o fato de alguns serem bem datados.

O primeiro ponto é o visual. Nasci em 1.996 e, portanto, o PlayStation já estava há dois anos no mercado. Porém só comecei a jogar quando tinha algo em torno de 7 ou 8 anos, quando o segundo PlayStation era a sensação. Então me acostumei a jogos que tinham um visual mais realista e quase nunca em 2D. Ora, posso dizer tranquilamente que o jogo que me fez apaixonar por games foi Driver 2 devido às incontáveis horas que passei admirando a beleza de Chicago e a liberdade de dirigir para onde quisesse.

Isso significa que jogos como Castlevania: Symphony of the Night, Zelda (todos antes do N64), Metal Gear e Metroid, não atraíam minha atenção para jogar. O que agravou mais ainda essa situação foi que, quando meu pai me deu o PSone, meu primo já o tinha há bastante tempo e me emprestou vários jogos, todos em 3D e com visuais incríveis. Então eu via designs como o da imagem abaixo e passava a vez:

Metroid (Nintendo, 1986)

Entendam, praticamente não era culpa minha. Apenas não fui exposto aos jogos de Nintendo 16-bit e joguei muito pouco o SNES. Minha trajetória gamer, digamos assim, iniciou no PlayStation e a admiração ao visual dos jogos era enorme. Até hoje sou uma pessoa bem visual, que preza por esse tipo de cuidado, seja num jogo, numa foto, numa arte digital ou simplesmente na arrumação do meu quarto. Acham mesmo que iria preferir jogar Metroid ao invés de Crash Bandicoot?

Até hoje sou assim, julgo muito os jogos pelo visual. Mas tenho maturidade para considerar que os jogos atuais que tiveram origem lá nos primeiros consoles são os que, em um ou mais pontos, moldaram o crescimento e estabelecimento da indústria como conhecemos. Isso significa que carregam enorme importância para mim, jornalista de games.

É por isso que logo na primeira semana deste ano, decidi que era o momento de dar atenção ao meu backlog. Irei sim jogar Castlevania, Metroid e Metal Gear, mas sem a obrigação de zerar e tal ação precisa ser gradual.

Vi em Bloodstained: Ritual of the Night uma oportunidade de inciar. O jogo foi lançado no meio do ano passado, mas foi criado pelo mesmo criador de Castlevania, possui as mesmas características de seu antecessor espiritual, mas tem gráficos contemporâneos. Será minha primeira experiência com um jogo Metroidvania e não há game mais apropriado.

Se você está num "momento gamer" parecido, sugiro fazer o mesmo. Depois o ideal é ir jogando outros jogos marcantes porque a futura geração não terá essa mesma disposição e, os que tiverem, se limitarão aos vídeos na web e alguns artigos - o que não é um absurdo porque dá pra entender o fato de uma criança nascida em 2020 não querer jogar um jogo de 1.980. O momento da indústria já é outro, mas nós ainda temos um pé nesses jogos clássicos e somos os últimos a terem vivido essa época.

O que me fez ter essa vontade de viver jogos daquela época é que se tratam dos pioneiros. Tudo bem que, como eu disse, sou de 1996, da era PlayStation, mas joguei o Super Mario Bros (1985, NES), o Donkey Kong (1981, NES), o Contra (1987, NES), o Elevator Action (1983, NES) entre outros. O que foi produzido para o NES, minha gente, foram obras maravilhosas que fizeram milhões de pessoas se apaixonarem por jogar e desenvolver games. O ponto principal é: essa paixão dos dois lados foi o que manteve a indústria viva e a fez chegar ao alto patamar que está hoje.

Então jogar tais jogos é importante, é como participar e tentar sentir a vibe de outrora. Essa atitude eu não acredito que as novas gerações terão, porque estão acostumadas com o "Online Way of Play". Hoje crianças estão ganhando celulares cada vez mais cedo e tendo acesso a jogos multiplayer. Não que isso seja algo ruim, simplesmente é algo de uma nova escola de produção e consumo de jogos. Crescerão com essa cultura e os lançamentos dos anos 1980 e 1990 não mais serão experimentados.

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